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Preço nos postos: Etanol segue em queda, mas ainda não é competitivo na média nacional

Os destaques sobre o preço dos combustíveis na semana de 4 a 10 de dezembro:

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  1. O valor do etanol subiu em 12 estados e no Distrito Federal, já o da gasolina aumentou em sete unidades da federação
  2. O consumo do biocombustível não é considerado economicamente vantajoso em qualquer estado
  3. O preço do etanol hidratado teve redução nas usinas paulistas, mato-grossenses e goianas 
  4. Levantamento de preços da ANP foi realizado em 238 cidades brasileiras, oito a mais ante a semana anterior

O preço da gasolina nos postos brasileiros apresentou a sua terceira queda semanal seguida, depois de seis aumentos consecutivos. Já o etanol teve uma segunda baixa após oito semanas consecutivas de elevação.

Entre 4 e 10 de dezembro, na média nacional, o biocombustível passou de R$ 3,85 por litro para R$ 3,84/L, queda de 0,3%. E a gasolina foi de R$ 5,03/L para R$ 5,01/L, redução de 0,4%.

Os valores foram divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e correspondem a 238 cidades, incluindo a maioria das capitais brasileiras.

O preço do combustível fóssil deve continuar em queda. Na semana passada, a Petrobras anunciou uma redução de 6,1% para a gasolina e de 8,2% para o diesel. A última alteração de valores feita pela estatal foi em setembro.

Com a maior queda para a gasolina, o etanol continua perdendo vantagem econômica. Uma reportagem da Folha de São Paulo afirma que o corte de impostos, para contenção dos preços, beneficiou os combustíveis fósseis. O consumo do biocombustível, por sua vez chegou ao menor patamar dos últimos cinco anos.

O economista e diretor-presidente da MCM Consultores, Claudio Adilson Gonçalez aponta que, a manutenção da política de desoneração dos combustíveis pode ter um efeito significativo na dívida pública. Segundo ele, apesar da redução do preço do etanol, “a maior parte da perda de receita do governo se dá para subsidiar os combustíveis emissores de carbono”.

De acordo com a ANP, a relação entre o preço do biocombustível e o de seu concorrente fóssil nos postos foi de 76,6% na semana. O resultado ficou levemente acima do visto uma semana antes, de 76,5%. Mas ainda superior ao limite considerado economicamente vantajoso para o etanol, de 70%.

Nas médias estaduais, por sua vez, o renovável não é mais vantajoso em nenhum caso.

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Nas usinas paulistas, o etanol hidratado saiu de R$ 2,7757/L para R$ 2,7155/L. A redução foi de 2,2%, conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP. Além disso, houve queda de 0,9% produtoras goianas e de 1,7% nas mato-grossenses.

Variações nos estados

Em meio à troca da empresa terceirizada responsável pelo levantamento da ANP, a amostragem de municípios tem mudado a cada análise. No período mais recente, a pesquisa foi feita em 238 cidades, oito a mais do que uma semana antes. Esta diferença no número compromete a comparação.

Segundo a ANP, de 4 a 10 de dezembro, os preços do etanol caíram em oito estados, subiram em 12 e no Distrito Federal, ficaram estáveis em cinco e não foram divulgadas no Amapá. Já os da gasolina tiveram redução em 19 estados, subiram em sete e ficaram estáveis em um.

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Em São Paulo, o biocombustível teve um decréscimo de 0,3%, custando R$ 3,76/L em média. Já a gasolina foi vendida a R$ 4,90/L, queda de 0,4%. Com isso, a relação entre os preços ficou em 76,7%, um resultado que não é economicamente favorável ao renovável, e levemente acima dos 76,6% de uma semana antes.

Já em Goiás, o etanol foi comercializado a R$ 3,71/L na média, ficando estável entre as duas últimas semanas de análise. A gasolina subiu 0,8%, para R$ 5,01/L. Assim, a relação entre os preços dos combustíveis ficou em 74,1%, queda ante os 74,6% do período anterior, mas ainda desfavorável ao etanol.

Por sua vez, Minas Gerais registrou queda de 0,8% no preço médio do etanol, que foi comercializado a R$ 3,81/L, enquanto a gasolina, também caiu 0,4%, sendo comercializada por R$ 4,90/L, em média. Desta forma, o renovável custou o equivalente a 77,8% do preço do combustível fóssil, abaixo do resultado anterior de 78%, mas com o etanol ainda sem competitividade.

Em Mato Grosso, o preço médio do etanol teve uma alta de 0,3%, indo para R$ 3,70/L – ainda o menor valor entre os seis maiores produtores. No período, a gasolina caiu 0,2%, indo para R$ 5,10/L. Com isso, a relação entre os preços subiu para 72,5%, ante 72,2% na semana anterior. Deste modo, a relação entre os preços continua desvantajosa ao biocombustível no estado.

Já em Mato Grosso do Sul, o etanol subiu 0,5%, para R$ 3,76/L. A gasolina, por sua vez, caiu 0,8%, para R$ 4,73/L. Assim, o valor biocombustível correspondeu a 79,5% do preço de seu concorrente fóssil, acima dos 78,4% registrados uma semana antes.

Por fim, no Paraná, o biocombustível custou o equivalente a 79,8% do preço da gasolina, a mais alta relação dentre os seis principais estados produtores de etanol do país. No período, o renovável teve uma queda de 0,5%, sendo vendido por R$ 4,19/L na média estadual, também o maior valor entre os maiores fabricantes do biocombustível. Já a gasolina teve um decréscimo de 0,6%, para R$ 5,25/L.

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Os preços do etanol e da gasolina por região, estado ou cidade desde 2018 estão disponíveis na planilha interativa (exclusiva para assinantes). Também estão disponíveis gráficos avançados e filtros interativos sobre o comportamento dos preços.

Ausência de dados

Os dados estaduais de preços dos combustíveis referentes à semana de 18 a 24 de setembro não foram divulgados pela ANP e, portanto, não puderam ser comparados. Isso ocorreu, conforme a agência, por conta do fim do contrato com a empresa que realizava o levantamento de preços de combustíveis, em 13 de setembro.

Nas semanas de 25 de setembro a 1º de outubro e de 2 a 8 de outubro, foram divulgados números apenas das capitais brasileiras. Nas semanas subsequentes, outras cidades passaram a elencar a pesquisa, sendo que o levantamento mais recente totalizou 238 municípios.

Atualmente, a empresa contratada pela ANP para a realização do levantamento é a Triad Research Consultoria e Pesquisa de Mercado. A vigência do acordo começou em 26 de setembro e o cronograma prevê um crescimento gradual da amostragem, atingindo 459 municípios até 16 de abril de 2023.

FONTE: NOVACANA