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As promessas de Lula e Bolsonaro para a economia

A economia brasileira é um tema que aflige a todos os brasileiros. Em um cenário de incertezas, após uma pandemia e em meio a uma guerra entre Rússia e Ucrânia, os candidatos à presidência da República, Jair Messias Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prometem combater à inflação, diminuir os impostos, gerar empregos e fazer crescer a economia do país. 

O professor de Economia da FGV-Rio Mauro Rochlin afirma que “as propostas de campanha eleitoral não correspondem exatamente ao que os candidatos irão fazer se eventualmente forem eleitos”. 

Em entrevista ao O DIA, o especialista disse esperar uma gestão “menos intervencionista” em um eventual segundo governo de Bolsonaro. Para Rochlin, essa era a expectativa do primeiro mandato, mas a pandemia exigiu medidas assistenciais.

Segundo o professor, o Bolsonaro tem uma inspiração mais liberal, com propostas que visam reduzir o tamanho do Estado na economia e flexibilizar as relações de trabalho. 

Já em um futuro governo de Lula, a tendência é ter uma política econômica mais intervencionista, com base nas gestões passadas do próprio ex-presidente e de Dilma Rousseff: “Nós tivemos governos que foram fortemente reguladores e intervencionistas em termos de concessão de crédito, de programas de incentivos para várias área e desoneração fiscal”, disse o economista.

Mauro Rochlin cita o compromisso de ambos os candidatos com a manutenção de um auxílio de R$ 600 e o aumento do salário mínimo acima da inflação. No entanto, é preciso fazer uma análise mais criteriosa das promessas, segundo ele. “Considerando as despesas que eles anunciam, e considerando outras que vão pressionar o orçamento do próximo governo, é um cenário muito difícil de acontecer”.

Em relação à geração de empregos, o especialista garante que uma boa gestão macroeconômica é a solução: “Não acredito em política que represente uma presença forte do estado. O governo precisa ser fiscalmente responsável, gastar de forma responsável e eficiente. Saber como gastar, focar o pouco dinheiro que tem e fazer uma política monetária, uma política de juros dentro do contexto que o país estiver vivendo”, afirmou.

Lula: Reforma tributária e combate à inflação 

Lula tem como prioridade fazer uma política econômica de retomada do crescimento, da geração de empregos e do combate à inflação e da alta de preços, com estabilidade principalmente no valor dos alimentos, dos combustíveis e da luz.

O petista promete utilizar uma “estratégia nacional de desenvolvimento justo, solidário, sustentável e soberano”, recuperando as estatais, investindo em infraestrutura, comunicação e produção de energia.

Lula fala em fortalecer a empresa nacional, pública e privada, e a produção agropecuária, com estímulo a pequenos produtores e com financiamento, redução do custo de crédito e investimento público, principalmente em setores estratégicos ligados à saúde, energia, alimentação e defesa.

Tornar o Brasil mais competitivo criando medidas efetivas de desburocratização, de redução do custo do capital e de ampliação dos acordos comerciais internacionais que sejam importantes para o desenvolvimento do país.

O candidato prevê abolir o Teto de gastos e fazer um novo regime fiscal. A reforma tributária também é uma das propostas de Lula, que visa simplificar os impostos, fazendo com que “os pobres paguem menos e os ricos paguem mais”. Com isso, o candidato deseja investir os recursos provenientes do imposto de renda pago pelos mais ricos em programas que promovam o crescimento, a igualdade e a produtividade. 

Opondo-se às privatizações, Lula pretende recuperar a Eletrobras e traçar para a Petrobras um plano estratégico e de investimento para a “segurança energética, a autossuficiência nacional em petróleo e derivados, a garantia do abastecimento de combustíveis no país”. 

Para a geração de empregos, Lula propõe investir em infraestrutura e habitação, na industrialização brasileira e em “novas bases tecnológicas e ambientais”. Outra medida econômica que deverá ser adotada pelo candidato é a política de valorização do salário mínimo e a melhora do poder de compra da população.

Lula também prevê outras iniciativas para o crescimento da economia brasileira, como o incentivo à pesquisa na área científica, tecnológica e da inovação, e a promoção na indústria do turismo.

Bolsonaro: Manutenção do Auxilio Brasil de R$ 600

O projeto de Bolsonaro é promover um crescimento econômico a médio e longo prazo, com geração de emprego e renda, e uma política econômica mais eficiente de recuperação do equilíbrio fiscal.

Para gerar mais empregos, o presidente pretende investir em educação para promover a capacitação e qualificação profissional, fazendo com que o cidadão brasileiro esteja mais preparado para o mercado de trabalho. Em seu plano de governo, Bolsonaro garante que a nova legislação trabalhista aprovada será mantida com segurança jurídica.

A formalização dos brasileiros que vivem na informalidade também é outra política de governo do candidato e, caso seja reeleito, deve ser feita por meio de contratos de trabalhos específicos, permitindo a oferta de trabalho formal em regiões onde o trabalho informal predomina.

Por outro lado, os que desejam ser empreendedores também serão estimulados por meio de financiamento, capacitação e assistência técnica, utilizando recursos tecnológicos que contribuam para o aumento da capacidade produtiva do país. 

Bolsonaro também promete que o Auxílio Emergencial no valor de R$ 600 vai continuar. Ele ainda garante um valor adicional de R$ 200 às famílias em que o responsável familiar estiver registrado no mercado formal. 

Nas regiões menos desenvolvidas do país, o presidente promete investir em infraestrutura no intuito de ampliar as ofertas de empregos no local e explorar de forma sustentável as potencialidades de cada região.

O turismo é outro setor que o presidente quer usar para alavancar a economia.
Bolsonaro ainda cita o estímulo à mineração e ao agronegócio por meio de novas tecnologias, que permitam o crescimento de forma sustentável, econômica, social e ambiental.

FONTE: O DIA